domingo, 3 de abril de 2016

Atlântica Desembocadura, Rumo ao Barco Vizinho - 150 anos de Vicente de Carvalho.


Fica em digna postura - 
pra sua alma irreprimível 
remar mais do que é seu barco. 

Há ousadia da maré 
endereçada aos ouvintes 
dentre eles está você. 

Pluvial água - percepção menino, 
nesse fluxo está ao adentrar 
no canal do estuário, longe perto - 
manobra exótica como a sua, 
veia para navegação do que há, 
ao passar pelo deck dos sentidos. 
Até umedece a aridez - 
areia em próxima praia palmilha. 

Disponíveis recortes mimos, 
remados pelo seu barqueiro 
insubmisso aos navegantes. 

Dá leitura aos cem barcos nus, 
pra presenciar oceano - 
sentir entregue ao olhar.

Menina em salobra mistura há, 
acalentado peixinho guarú, 
esta evocação de limite – mar, 
circunscrito nesse avizinhamento, 
mas, em maré vazante vai até 
se distanciar na conquista d’água 
oceânica encoberta em brumas, 
em vazantes e enchentes - você. 

Percepção há de haver que 
transcreva antologia imersa 
na ausência de alguns sabores. 

Já que você é homenagem, 
em alquimia à transformar 
versos naquela maresia. 

Quebrasse inércia, Vicente de Carvalho - 
de pé - fronte à dureza, jardim fomenta, 
ladeado em aconchego de uns traços 
benedictino-calixtos em suas águas, 
mar - por ambos assistido, é atlântica 
desembocadura – no céu, são lonjuras. 

Mediante minha leitura, 
que na rede eu sirvo a todos - 
aos pressupostos mais nadantes. 

Fechem essa minha janela 
à nossa não cumplicidade 
pra que a lua não a espie. 

Ricardo Rutigliano Roque.



quarta-feira, 30 de março de 2016

Mulher Caiçara: "Menção Honrosa" - premiação máxima, do acervo.

“Mulher caiçara” (*)

   Há poucos anos atrás, umas amigas me convidaram para ir à Festa da banana. – Onde é isso? – perguntei. Uma respondeu: - no Mercado Municipal. Você vai gostar. Tem barracas, os expositores vendem doces caseiros, industrializados, tem artesanato para vender e até conjunto musical para as pessoas ouvirem música. Fomos no dia seguinte. Chamou minha atenção uma barraca com mudas de plantas e flores para vender, vários tipos de artesanato, algumas peças construídas com as folhas secas das bananeiras, balas cristalizadas de banana, enorme quantidade de artigos expostos, tudo com qualidade e beleza indiscutíveis. Produção dos caiçaras. Saindo de lá, resolvi pesquisar. Caiçara é palavra de origem Tupi-Guarani e se refere aos habitantes das zonas litorâneas, muitas do estado de São Paulo. Em 1992, somente Cananeia. Após, todos os habitantes do litoral dos Estados do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro. Até relacionam os caiçaras com os caipiras. Talvez as semelhanças possam ser encontradas no zelo pela família, na moral e bons costumes, na simplicidade do viver. Rústicos, porém sensíveis: um ser humano não tão lapidado a ponto de se tornar artificial, volúvel, egocêntrico, inconsequente, ... Na comunidade caiçara, a mulher é honesta, dedicada tanto à agricultura (mandioca, banana, milho ...), como à pesca. Possui pureza, simplicidade, intensidade de valores. Acredito que, enquanto a “civilização urbana” não dominar por inteiro os caiçaras, eles continuarão evoluindo, cuidando de si e de suas famílias com moral, dignidade, respeito, trabalhando por uma subsistência dentro de padrões éticos não facilmente encontráveis nos meios urbanos. 

"Menção Honrosa" - premiação máxima, do acervo. 
Autora: Assma Gabriela Chicani Tahan. 

Prêmio - máximo: "Menção Honrosa" - certificado. 

Júri: Marcelo Rayel Correggiari, Maurilio Campos e Sueli Aparecida Lopes. 

Tema: Mulher Caiçara. 

I Concurso Literário - 2016, de Crônicas do Acervo dos Escritores Santistas. 

Categoria: adulta. 

Data: 15 de março de 2016. 

Comemoração: "Dia Internacional da Mulher" e "Semana da Cultura Caiçara", em seu último e primeiro dia, respectivamente (*). 

* "Semana da Cultura Caiçara inicia com evento literário'. 'A Biblioteca Municipal Mário Faria (Posto 6 da orla) recebe programação da 3ª. Semana da Cultura Caiçara, que tem início. Entrada franca. A partir das 16h, a mulher caiçara homenageada no 1º Concurso Literário de Crônicas do Acervo dos Escritores Santistas. O evento, realizado na Biblioteca Mário Faria, também celebra o último dia da Semana Internacional da Mulher." (Diário Oficial de Santos, página A 7, 15 de março de 2016).

segunda-feira, 28 de março de 2016

Rumo ao Barco Vizinho.

Fica em digna postura -
pra sua alma irreprimível 
remar mais do que o seu barco. 

Há ousadia da maré 
endereçada aos ouvintes 
dentre eles está você. 

Disponíveis recortes mimos, 
remados pelo seu barqueiro 
insubmisso aos navegantes. 

Dá leitura aos cem barcos nus, 
pra presenciar oceano - 
sentir entregue ao olhar. 

Percepção há de haver que 
transcreva antologia imersa 
na ausência de alguns sabores. 

Já que você é homenagem, 
em alquimia à transformar 
versos naquela maresia. 

Mediante minha leitura, 
que na rede eu sirvo a todos - 
aos pressupostos mais nadantes. 

Fechem essa minha janela 
à nossa não cumplicidade 
para que a lua não a espie.

domingo, 27 de março de 2016

Quarto Estrangeiro.

Ode à Biblioteca Mário Faria (*).

Meu caminho está ornado,
Pela beleza das flores,
Mas, são as palavras amigas,
Que aliviam minhas dores.
.
- Christino Candido Portela.


Fico olhando, rememorando
a tua atenção que libera
minha entrada à sala

Debruçado sobre seu acervo
Água caudalosa no abrir de capa
torna-me belicoso arrependido
sem resignar-me

Revisito seu quarto
reabilitado ao amadurecer
que garanta resplendor
na manhã que raie com o sol

Desperta-me sem sangrar-me
para agora nutrir-me
ao ouvir em silêncio.

* foto de Sueli Aparecida Lopes https://www.facebook.com/photo.php?fbid=773843936083092&set=pcb.773844049416414&type=3&theater

sábado, 26 de março de 2016

Conto Entre Nuvens Um Passarinho Assustado.

   Em frente à praia, ao lado da reserva Juréia-Itatins, de costas pra Mata Atlântica, um filho mostra a seu pai, o que vê no céu. 
   - Ó, pai! 
   - Sim, é uma nuvem! 
   - Vê, ali! - É, mudou de lugar! 
   - Bonita é, também, aquela! 
   - É a branquinha! 
   - Parece que flutua! 
   - Quer uma igual? Vou comprar um algodão doce. 
   - Nhac... Hummm! 
   - É bom, né? 
   - Aquela é pretinha! 
   - É, ela tem água. Vou comprar água. 
   - Glub, glub... Hummmm! 
   - Matou a sede, né? É a goiabada, com queijo 
   - Romeu e Julieta, que dá sede, nessa nossa festa de Cosme e Damião. 
   - O Saci-pererê também consegue pai, se abaixar como eu, pra beber água, no rio? 
   - Já teria se abaixado, pra pegar doce, mas aqui ele recebe na mão, em festa de Cosme e Damião. Há uma festa, a de Halloween, onde seriam, caso não recebesse, permitidas as traquinagens! 
   - Pai. Posso ir à casa do Saci, lá na mata, que é pra pedir água e doce? 
   - Vai lá, filho, e suba a escada, de fora da casa, pra escolher a nuvem certa, pra desta beber, mas não deixe rastro, nesse caminho de areia. 
   - Subirei nessa árvore. Na água empoçada se vê o contorno, sombreado de algo, que paira no céu. 
   - Olá preta nuvem. Você tem água pra matar minha sede? 
   Fuligem - Sou nuvem, oriunda da queima das folhas da cana de açúcar. 
   Preta Nuvem - Eu tenho água, sim, antes de vir de lá, da plantação, eu ainda nesse céu azul, seco e quente. 
   - Qual a velocidade, que vocês atingem? 
   - Aquela, do vento que me traz. 
   - Como você é recebida, ao ser, percebida, fuligem? 
   - Como a um moleque, travesso, por repetidas vezes. Ela também, a preta nuvem, mas, eu apareço em duas safras por ano. 
   - Já eu chego mais no final do verão e, por isso, molho a roupa no varal, mas, mesmo assim sou tratada como filha predileta! 
   Céu azul - Sou testemunha disso, ao iluminar seus caminhos, nuvens escuras. 
   - E você - nuvem branquinha, sempre vem aqui? 
   Nuvem branquinha - Na ausência da preta nuvem, sim. 
   - Nosso contraste é poesia, minha branquinha, em dias carregados de chuva. 
   - Qual o ganho, preta nuvem, com minha prestigiosa presença, em sua orquestrada tempestade? 
   - Poderá ver quanto os pássaros fogem, de minha chuva, coisa que você não faz – dar susto em passarinho. 
   - Em solitária presença, essa minha, de fumaça contra a Dengue e, tantos são os pássaros que alçam voo, debaixo de sua chuva! 
   - Eu queria aprender a voar com sua leveza, branca nuvem, ao descarregar toda minha água, pra poder praticar um voo de passarinho. 
   - Os passarinhos estão com fome, com a fumaça que acaba com o mosquito da Dengue - seu alimento. 
   - Mas, essa fumacinha branca é, contra mosquito, leve como você, porém voa, livre, como pássaro? 
   Fumaça contra o Aedes - Inabilitado pássaro, de penas desengorduradas por mim, que faz reter, assim, a água da chuva caída da nuvem pretinha, e essa pesa, o que lhe tira o voar. 
   - Então é você fumaça que, ao penetrar nas asas do passarinho, oferece este aos gatos, em meio a água da pretinha? 
   Fumaça contra Aedes e nuvem branquinha - Somos nuvens branquinhas, mas, com conteúdos e qualidades diferentes. 

diversão passageira – 
Pé d’água apaga 
pegadas na areia 

Ao Paulo Rodrigues e Sonia Adarias - passarinhos, entre nuvens do "Grêmio de Haicai Caminho das Águas', e Galati, entre nuvens da 'Sociedade dos Poetas Vivos". 


#‎acervodosescritoressantistas‬

quinta-feira, 24 de março de 2016

Conservacionismo - em defesa do bioma Mata Atlântica, via Cultura Caiçara, na Saúde Ambiental.

   Ler o Vizinho, em escolas municipais de cada um dos nove municípios da Baixada Santista e uma convidada. 

   Calendário regional, em discussão inicial, proposto por poeta de Praia Grande. 
   Sistematizar arrefece a sanha centralizadora de qualquer liderança em uma cidade apenas, ao democratizar o rodízio de anfitrião, em convite a evento literário legitimo, se longe de uma excessiva personalização do mando e distante de ordem unida idiossincrática.
   Há distância como fator restritivo, entre os nove municípios da Baixa Santista, então a principal discussão sobre logística estaria resolvida com gestão junto ao meio social de transporte, inativo de março a dezembro, o Roda São Paulo (*). 
   Resolvido esse entrave, há as peculiaridades individuais de cada coletivo, que fruirão conforme sejam assumidas pelo coletivo em consenso local, quiçá até agregar o fandango, para minimizar ego de cada escritor, ao humanizar relação entre ele e o leitor vizinho. 
   Na primeira sexta-feira de cada mês - segunda ao coincidir com feriadão, com suficiente tempo, assim, para cada coletivo - estudantes e escritores, compilar textos vizinhos e, quiçá, contemplar demandas individuais como lançamento de livro solo - se norteado pela temática caiçara. 
   Viabilizado o poder do anfitrião - estudantes e professores, mas sem reprimir demanda do convidado - escritor. 
   Há inspiração em prosa e verso, por temas, propostos, em locais históricos e naturais. 
   Distribuição: uma cidade por mês - nove municípios - exceto janeiro, fevereiro e julho. 
   Temática regional e em escolas de primeiro grau, assim: 
   março - Bertioga, Cultura Caiçara; 
   abril - Cubatão, O Negro; 
   maio - Guarujá, O Pescador Caiçara; 
   junho - Itanhaém, A Praia; 
   agosto - Mongaguá, A Pesca; 
   setembro - Peruibe, Fandango; 
   outubro - Praia Grande, O Manguezal; 
   novembro - em Santos, O Caiçara Aportado - portuário, engenho de cana-de-açúcar e do café; 
   dezembro - São Vicente, O Guarani. 
   Sempre sexta-feira de manhã. 
   A cada ano uma cidade cede sua vez ao convidar outra cidade - vizinha à região. 

* Roda São Paulo - cada envolvido junto à Secretaria de Turismo do Estado de São Paulo, agência Metropolitana da Baixada Santista e Secretaria de Turismo de sua cidade, por uma tarifa usual e liberação gratuita de acesso a cada monumento, direta e autonomamente, concomitante à Cultura, no uso de serviços, até então, ociosos: monumentos em baixa temporada, e ônibus parados de março a dezembro - só funcionam de janeiro à fevereiro, com tarifa de R$10,00, para servirem cada município, dos nove da Baixada Santista, quiçá, assim: 
. saída: sexta-feira da biblioteca municipal de cada cidade - Mário Faria de Santos, à tempo do acordado; 
. chegada de volta: à tarde. 
Grande abraço. 
#medicos